Redes físicas possibilitando redes virtuais

Tweet Telemedicina, TVs universitárias integradas, previsão do tempo, monitoramento de queimadas. Estes são alguns dos serviços possibilitados pela rede de banda larga que conecta as instituições de ensino público e pesquisa do Brasil, implementada e mantida pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa). Trata-se de uma organização social financiada […]

Telemedicina, TVs universitárias integradas, previsão do tempo, monitoramento de queimadas. Estes são alguns dos serviços possibilitados pela rede de banda larga que conecta as instituições de ensino público e pesquisa do Brasil, implementada e mantida pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa). Trata-se de uma organização social financiada por um programa interministerial que envolve Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Educação.

Para se perceber a relevância da RNP é importante entender os motivos pelos quais é necessário ter uma rede própria para as instituições públicas de ensino e pesquisa, ao invés de simplesmente contratar um serviço de banda larga de algum dos operadores privados. A conectividade é um dos maiores desafios para a inclusão digital no Brasil, conforme já discutido nesta entrevista com Peter Knight. Apesar da Anatel entender que a banda larga chega a 100% dos municípios brasileiros, atendendo a 100% da população, dados sobre a densidade da banda larga (número de acessos/ 100 habitantes), contam outra história.

A questão da densidade

Após um crescimento de 42% entre 2010 e 2012, o Brasil alcançou uma densidade de acessos de 10,5 em 2013. Os países da OCDE têm média de 26,3 e as Américas, 15,6. A densidade média brasileira não é portanto das mais altas. Mas além disso, ela esconde uma enorme disparidade, conforme descreve um relatório recente do IPEA. Enquanto São Paulo (18,0) e Rio de Janeiro (13,6) estão de um lado do espectro, Amapá (1,6) e Maranhão (1,9) estão em outro. E além dessa desigualdade norte –sul, existe a enorme diferença entre municípios de mais de 500.000 habitantes (17,6) e os de menos de 10.000 (2,8).

Esses são apenas alguns dados que mostram que a realidade com a qual os moradores de grandes cidades estão acostumados é muito distinta do que encontram os residentes no interior do país, em especial no norte e nordeste. Talvez esta seja uma situação que se ajuste naturalmente ao longo dos anos, mas até lá, como pode sobreviver um acadêmico ou pesquisador que não tenha acesso confiável à web?

A importância da capacidade ociosa na rede

A falta de atratividade mercadológica de grande parte dos potenciais clientes de banda larga já seria suficiente para justificar a existência de uma rede própria para a comunidade acadêmica. Porém, mesmo países com grande facilidade de acesso à banda larga, como Estados Unidos e Europa, também desenvolveram e mantém suas redes acadêmicas, caso da Internet2 e da Géant.

Tais redes oferecem às instituições acadêmicas custo menor em relação ao mercado, o que em si só justifica sua existência. Mas tão importante quanto isso é que as redes acadêmicas tendem a operar com capacidade ociosa, o que possibilita e incentiva o livre tráfego e troca de conteúdo entre pesquisadores. Uma operadora privada irá buscar ter sua rede saturada, de forma a maximizar seu investimento, o que não é o caso em uma rede própria.

Graças ao trabalho da RNP e seus diversos parceiros a banda larga tem chegado a todos os estados da federação, conectando mais de 800 instituições de ensino e pesquisa com velocidade e qualidade que não estão disponíveis através de operadoras privadas. Além disso, os custos são significativamente menores que os de mercado: Por exemplo, a primeira etapa da rede metropolitana de Belém (Metrobel) custou cerca de R$1 milhão para 50km de rede, unindo as principais instituições públicas de ensino e pesquisa da cidade, investimento que se pagou em 2 anos. E o custo de manutenção é fixo, independente da velocidade. Ou seja, diferentemente de contratos com operadoras, os participantes da Metrobel e de outras redes operadas pela RNP não pagam preços mais altos caso queiram aumentar a velocidade da sua internet. O projeto foi tão bem sucedido que o Governo do Estado do Pará ampliou a rede, conectando órgãos governamentais e viabilizando o NavegaPará.

No vídeo abaixo José Luiz Ribeiro Filho, Diretor de Serviços e Soluções da RNP conta mais sobre o caso da Metrobel:

Ao viabilizar a construção das redes físicas em todo o território nacional, a RNP acumulou experiência admirável na articulação de parcerias. Para conseguir a implementação das redes metropolitanas, regionais e nacionais, a RNP negocia com um grande número de entidades, que incluem: Telebrás, operadoras de energia elétrica (que cedem postes por onde passam as fibras da rede), prefeituras, governos estaduais, além é claro dos ministérios com quem a RNP tem um contrato regido por metas que se renovam a cada 5 anos.

Serviços para comunidades acadêmicas

Mas a RNP vai além de construir e gerir as redes físicas. Faz parte de suas atribuições também compartilhar conhecimento técnico, formando técnicos nas instituições acadêmicas através da Escola Nacional de Redes. Ademais, a RNP desenvolve uma série de iniciativas para fomentar o uso da rede. Na segunda parte da entrevista, José Luiz descreve as iniciativas da RNP de desenvolvimento de serviços para comunidades acadêmicas.