Quando os jornais são notícia

Os jornais têm de acompanhar a mudança de hábitos e preferências dos seus leitores. Aqui fica uma nota sobre as apostas de três projetos jornalísticos portugueses

Sabemos que o mundo da comunicação social está a sofrer grandes alterações. Não sou uma conhecedora da área mas, enquanto cidadã e apaixonada pela tecnologia, rapidamente percebo as mudanças a que a Internet e as redes sociais têm obrigado esse setor.

O facto de cada vez mais pessoas usarem as redes sociais e as usarem com mais regularidade, significa que as pessoas:


Uma outra mudança tem a ver com o local onde as pessoas acedem às redes sociais e consomem notícias e, consequentemente, os dispositivos usados para o fazer. É através dos dispositivos móveis – telemóveis e tablets – que as pessoas cada vez mais acedem às redes sociais.

Estas mudanças significam que a indústria dos “mass media” tem de se adaptar e, para os jornais é importante criar condições para evitar o declínio do setor.

Em Portugal, tivemos recentemente oportunidade de assistir a pelo menos três “acontecimentos” interessantes e reveladores: o nascimento do Observador, a criação do Expresso Diário e o novo visual do jornal Sol. Vamos por partes.

Observador

Lançado dia 19 Maio, o Observador é um projeto jornalístico independente apenas disponível em formato digital. Com uma equipa bastante jovem, tem vários jornalistas com experiência de outras publicações e é liderado pelo experiente José Manuel Fernandes.

Do seu estatuto editorial destacamos:

“quer contribuir para uma opinião pública informada e interveniente. Valoriza a controvérsia e a discussão franca e descomplexada”

“procurará fórmulas atrativas e pertinentes de apresentação da informação, mas dispensando o sensacionalismo”

“estará na linha da frente do processo de mudanças tecnológicas e relacionais, sempre atento à inovação e promovendo a interação com os seus leitores”

A sua secção Explicadores ilustra um pouco a postura do Observador que não pretende ser o primeiro a dar a notícia mas antes o melhor a explicá-la.

Um dos Explicadores no Observador

O Observador assenta numa plataforma de código aberto (WordPress), o que só por si constitui uma grande lufada de ar fresco.

Curiosamente, uma das mais refrescantes “ofertas” deste jornal, é o email diário que o seu Diretor, David Dinis, envia por volta das 9h00 com um sumário do que se passou enquanto dormia e uma antevisão dos principais acontecimentos do dia.

Excerto de um Observador 360º

Excerto do Observador 360º de hoje

Expresso Diário

Ao fim de 41 anos de existência como jornal semanal, o Expresso lança uma edição diária, optando pelo formato digital. E isto porque, como dizem,

“Num jornal diário digital não é preciso esperar horas de impressão e de distribuição nas bancas, os leitores podem ler a informação no próprio dia em que ela é editada pelos jornalistas.”

Um dos aspetos mais curiosos desta edição lançada dia 6 de Maio é o facto de ficar disponível diariamente às 18 horas com o intuito de acompanhar a mudança de hábitos e conquistar a atenção das muitas pessoas que navegam a Internet e consomem informação ao final da tarde e à noite. Daí a importância que estão a dar também à usabilidade desta edição nas várias plataformas móveis.

Expresso multiplataformas

Semanário Sol

Foi também nas últimas semanas que o semanário Sol avançou com uma novidade: um novo visual para a seu website. O novo design é agora dominado por fotografias, tem uma simples listagem das últimas notícias, e dá grande destaque às “etiquetas” (tags) de cada notícia, colocando-as desde logo em “formato hashtag” no sentido de conduzir o leitor a uma partilha via redes sociais.

Página inicial do Sol online

Página inicial do Sol online

Estou com grande curiosidade para ver o impacto que as novidades trazidas pelo Expresso e pelo Sol têm nesses dois projetos jornalísticos, e também o futuro do projeto Observador. Quero também ver o protagonismo, ou não, que aplicações como o Niiiws vão conquistar como centros agregadores e distribuidores de notícias baseadas nas preferências individuais de quem as consome.