É preciso saber viver em sociedade

No meu último post lancei algumas provocações sobre a mudança de papel que as redes e ferramentas sociais estão a possibilitar aos cidadãos e às organizações públicas. Nesse post dizia “Não podem limpar as mãos das suas responsabilidades mas podem partilhá-las, reduzindo custos, aumentando eficiência, aumentando o sentimento de pertença […]

Winnie The Pooh, foto de JayPLee no Flickr

No meu último post lancei algumas provocações sobre a mudança de papel que as redes e ferramentas sociais estão a possibilitar aos cidadãos e às organizações públicas.

Nesse post dizia

“Não podem limpar as mãos das suas responsabilidades mas podem partilhá-las, reduzindo custos, aumentando eficiência, aumentando o sentimento de pertença dos cidadãos, etc.. “

A esta lista, gostava de acrescentar uma outra vantagem que advém do envolvimento dos cidadãos e que me foi sugestionada enquanto o meu filho assistia ao filme “The Book of Pooh: Stories from the Heart” (Disney, 2001). Nele, Winnie The Pooh diz

“It takes a lot of honey-getting know-how to know how to get honey from a beehive.”

Traduzido de forma livre, “é preciso saber muito sobre apanhar mel para saber como se tira mel de uma colmeia”.

Na verdade, é preciso saber muito sobre como viver em sociedade para se saber a melhor forma de viver em sociedade. E, quem melhor do que os cidadãos, para saber a melhor forma de viver em sociedade?

São os cidadãos que se deparam com os problemas, que sentem as necessidades, que observam as oportunidades, que sonham com as mudanças. Ninguém melhor do que eles para sugerir formas de resolver esses problemas, colmatar essas necessidades, aproveitar essas oportunidades, e concretizar essas mudanças. Ninguém melhor do que eles para avançar ideias, considerar alternativas, testar protótipos e adotar soluções.

Mas para que qualquer uma destas coisas aconteça, é preciso haver espaço. Espaço físico e temporal. Acima de tudo espaço mental: da parte dos serviços públicos para ouvir; da parte dos cidadãos para se quererem envolver no processo.

E pegando no interessante post da Isabel de Meiroz Dias, sobre rotinas como incentivo à inovação, é importante criar rotinas, criadoras de espaços – físicos, temporais e mentais – para a partilha, para o debate, para a criatividade.

Esses espaços podem ser digitais. Aqui, mais uma vez, voltamos à questão das ferramentas e redes sociais, e ao papel que podem desempenhar na criação desses espaços, dessas oportunidades.

Podem ser espaços de debate. Veja-se por exemplo o que se está a tentar fazer com o projeto “be IN – Participar para Crescer” em Portugal, onde se procura o debate em fóruns presenciais mas também no Facebook).

Podem ser plataformas de inovação aberta (open innovation). A Câmara Municipal de Lisboa foi uma das primeiras em Portugal a abraçar esta oportunidade para encontrar formas de atrair investimento para a capital portuguesa.

Podem ser sites para debate de opiniões, como é o caso do Eu Participo, já usado por algumas entidades públicas como é o caso do Conselho  Nacional de Juventude.

O que é importante, é que dêem voz aos cidadãos pois são eles que sabem o que é viver em sociedade.