Mapeando tecnologias cívicas

Tweet “Tecnologias cívicas” (ou Civic Tech) é o nome que tem prevalecido para descrever a nova geração de iniciativas que usa tecnologia para fortalecer a cidadania e melhorar serviços públicos, diz Tom Steinberg da mySociety. Tom vai além e sugere uma classificação dos tipos de organização que cabem dentro deste […]

“Tecnologias cívicas” (ou Civic Tech) é o nome que tem prevalecido para descrever a nova geração de iniciativas que usa tecnologia para fortalecer a cidadania e melhorar serviços públicos, diz Tom Steinberg da mySociety. Tom vai além e sugere uma classificação dos tipos de organização que cabem dentro deste rótulo, com exemplos:

É útil ter um nome para abranger este forte movimento que tem acontecido em todo mundo. Enquanto “Governo Eletrônico” descreve iniciativas do setor público para melhorar seus serviços usando tecnologias, “Tecnologias Cívicas” abrange ações que surgem fora do governo, mas que visam acompanhar, influenciar e melhorar tanto políticas quanto serviços públicos, além de manter o governo em cheque, e mobilizar cidadãos para o seu papel de acompanhamento e participação nas decisões governamentais.

Entretanto, a classificação de Tom me parece ambígua. Por exemplo, como enquadrar um serviço como o Meu Rio na categorização proposta por ele? Afinal o Meu Rio fortalece a cidadania exatamente através da influência nas decisões e vice-versa. E uma iniciativa como o Benfeitoria, que oferece crowdfunding para ações sociais e colabora com o governo no desenvolvimento de novos serviços (caso do projeto carioca Rio+)?

De fato, não é simples a categorização. Porém ouso arriscar uma, tendo em mente o cenário nacional. A proposta, ilustrada nos quadrantes abaixo, é classificar as iniciativas com base no seu enfoque (serviços públicos ou legislação) e no seu relacionamento com o governo (de colaboração direta, influência externa ou monitoramento).

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O diagrama mapeia o Vote na Web, por exemplo, com enfoque claro na legislação, e o objetivo de monitorar atuação de deputados ao mesmo tempo em que permite aos cidadãos emitir opinião sobre projetos de lei. Já o Meu Município facilita aos cidadãos o monitoramento de finanças municipais, permitindo inclusive comparações entre cidades. Entre os exemplos apresentados na figura também se incluem iniciativas lançadas pelos próprios governos, como é o caso do Participa.br, fomentado pelo Governo Federal.

Outras alternativas de categorização pode levar em conta critérios diferentes, como é o caso da Civic Exchange, que mapeia iniciativas reaproveitáveis por outras organizações, e do Cidadania 2.0 que permite filtrar projetos conforme suas atividades principais (por exemplo crowdfunding e mobilização). E quais seriam as outras possibilidades para mapeamento deste setor?