Quem disse que os mais novos são melhores com ferramentas sociais?

Tweet Regressei ontem de Paris do Enterprise 2.0 Summit. Foram dois dias durante os quais ouvi várias experiências sobre a criação de organizações mais sociais, organizações que querem melhorar o seu desempenho através de uma melhor colaboração e interação entre colaboradores. Ao mesmo tempo que assistia ao evento, participava no […]

"Learning to play music (21/365)" de LifeSupercharger no Flickr Regressei ontem de Paris do Enterprise 2.0 Summit. Foram dois dias durante os quais ouvi várias experiências sobre a criação de organizações mais sociais, organizações que querem melhorar o seu desempenho através de uma melhor colaboração e interação entre colaboradores.

Ao mesmo tempo que assistia ao evento, participava no debate que, no Twitter, se desenrolava em torno do que estava a ser dito no palco.

Um dos temas que gerou bastantes comentários foi a relação das idades dos colaboradores com a sua capacidade de se adaptar às ferramentas sociais nas organizações. Será que os colaboradores mais novos têm mais facilidade em usar estas ferramentas no contexto organizacional?

Algumas das organizações presentes acreditam que sim (Deutsche Telekom e Atos, por exemplo), e têm mesmo programas de reverse-mentoring: colaboradores mais novos ajudam os mais velhos para que estes últimos se sintam mais seguros a usar as ferramentas. O debate surgiu via Twitter veio questionar se a idade é importante.

Para mim, a capacidade de usar as ferramentas sociais tem duas componentes: a capacidade de “operar” a ferramenta, e a capacidade de a usar de forma útil.

Usando uma analogia musical: uma pessoa que sabe tocar um instrumento pode não saber como tocar uma música nesse instrumento. Do mesmo modo, uma pessoa que saiba uma música pode não saber tocar um instrumento.

Assumimos que os mais jovens estão mais familiarizados com as ferramentas sociais. Na realidade, as estatísticas revelam que não há assim tanta diferença (veja-se este estudo da Pew Internet ou este da Pingdom). De qualquer forma, e mesmo que houvesse um maior à-vontade por parte dos mais jovens, estes tendem a usar as ferramentas para fins pessoais e, sem grande experiência profissional…

  • não têm grande consciência do impacto que pode ter o que colocam nas redes
  • não as usam para colaborar, para construir em conjunto.

Aliás:

  • vêem muitas vezes formatos pelo sistema de ensino para não partilhar e não usar informação de outros (considerado copianço ou plágio);
  • sentem que têm de ser afirmar e, por isso, assumem uma postura individualista; ou
  • têm receio de se expor e falhar e preferem não ter voz nas ferramentas internas.

Os mais jovens podem saber tocar o instrumento ou ter mais facilidade em aprender a tocar o instrumento. Mas a verdade é que os mais velhos estão mais habituados ao mundo do trabalho e estão muito mais bem preparados para pensar como o instrumento (as ferramentas sociais) se podem encaixar e melhorar esse mundo.

Por tudo isto, acredito que o mentoring ou os champions, continuam a ser uma boa estratégia. Independentemente da sua idade, os champions são pessoas que sabem usar a ferramenta e que percebem e acreditam nas vantagens da sua utilização. Nos champions encontramos pessoas que sabem tocar o instrumento e com ele tocar bom música. Nos champions encontramos pessoas empenhadas em que outros sejam capazes de fazer o mesmo.

E com um número crescente de pessoas capazes de tocar música com o instrumento, seremos capazes de criar melhores concertos nas nossas organizações.

Nota: A foto usada neste artigo é de LifeSupercharger e foi encontrada no Flickr nesta data.