Governança pra quê?

Tweet Se você está lendo este artigo na tela de um computador, assumo que não preciso chover no molhado e dizer que a tecnologia de informação (TI) tem sido parte integrante e indispensável de muitas das maiores transformações sociais, culturais, econômicas e até políticas dos últimos 50 anos. Provavelmente não […]

Se você está lendo este artigo na tela de um computador, assumo que não preciso chover no molhado e dizer que a tecnologia de informação (TI) tem sido parte integrante e indispensável de muitas das maiores transformações sociais, culturais, econômicas e até políticas dos últimos 50 anos. Provavelmente não preciso também mencionar que, ainda que TI tenha sido central para diversas inovações, nem toda inovação precisa de TI, e nem toda introdução de TI traz inovação. E é claro que não podia ser diferente no setor público como, aliás, coloca muito bem Christopher Pollitt no seu artigo sobre mudança tecnológica na administração pública.

Pois bem, se TI tem então tanto potencial, e diversos casos de inovações com resultados positivos no setor público em todo mundo, cabe a pergunta: como é que os governos podem se estruturar para aproveitar da melhor forma este potencial, e utilizar a TI a seu favor? Foi com esta questão em mente que participei do recente seminário “Governança da TI: Modelos Diferentes para Realidades Diferentes”, organizado pela Informa.

O público-alvo do seminário foram responsáveis pela TI de municípios paulistas. Estavam lá representantes de Campinas, Guarulhos, Taubaté e São Paulo, entre diversos outros. Foi especialmente interessante o relato de Paulo Miranda sobre a experiência de Curitiba, cidade onde já há algum tempo se aplica o modelo de organização social para a TI municipal. A novidade na atual gestão do prefeito Gustavo Fruet é a criação de uma Secretaria de Informação e Tecnologia, até onde sei a primeira do Brasil.

Parque Barigui em Curitiba. Crédito: Bill Machado @Flickr

 

Um tema bastante discutido no evento foi a questão do alinhamento entre a área de TI e o plano de governo. É sempre desejável que as ações de TI façam parte de um quadro mais amplo de metas governamentais. Porém, acredito que o alinhamento estratégico é uma questão que foge às melhores intenções dos responsáveis pela área de TI. Para mim, o alinhamento acontece dentro, ou muito próximo do gabinete do governador/ prefeito/ presidente. Quando este não é o caso, resta à área de TI correr atrás e buscar atender da melhor forma as prioridades de governo identificadas.

Mas talvez isso não seja tão ruim quanto parece, ao contrário. Há um artigo da Bain & Co intitulado “Como evitar a armadilha do alinhamento” que sugere que alinhamento estratégico sem eficiência na entrega de projetos é nocivo e insustentável para a organização. Se a entrega de projetos não é eficiente, é melhor até não ter mesmo alinhamento, assim pelo menos se evita o desperdício de dinheiro.

E como disse a querida professora Maria Alexandra Cunha, que também esteve presente no evento de governança: com ou sem alinhamento, os órgãos públicos de TI não podem demorar 3 anos para entregar um projeto. Aliás, já que menciono a Maria Alexandra, deixo aqui o link para este vídeo com curtinho depoimento dela para o Alvaro Gregorio aqui no igovsp.net.

Mas voltando ao assunto, a eficiência na entrega de projetos, além de tão importante para a sustentabilidade das organizações de TI, também tem a vantagem de pertencer à alçada de seus executivos, com menos dependência de chancelas superiores. Nem por isso significa que seja mais fácil colocá-la em prática, e menos ainda para instâncias municipais, que de modo geral sofrem com orçamentos menores e mais descentralizados.

Uma possível saída para os municípios é unir esforços, como foi sugerido pelo Leandro Telles, Diretor do Departamento de Informatização de Campinas. Afinal as necessidades e dificuldades das organizações municipais de TI são semelhantes, faria todo sentido compartilhar conhecimento e soluções. De fato, a sinergia parece tão lógica que me espanta que essa rede já não exista.

Enxergo aí uma oportunidade a ser explorada: uma rede das organizações municipais de TI, com o objetivo de avaliar e compartilhar soluções. Algumas referências interessantes seriam iniciativas como o softwarepublico.gov.br, do Ministério do Planejamento que oferece plataformas de gestão para os municípios, bem como a iniciativa dos municípios eficientes aqui do Rio de Janeiro.