Futuros Digitais, democracia, redes sociais e comunicação

Tweet Na passada sexta-feira, dia 11 de Outubro, tive o prazer de participar pela segunda vez no Fórum da Arrábida organizado pela APDSI – Associação para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. O tema desta 12ª edição do Fórum foi “A Sociedade da Informação daqui a 20 Anos” e a […]

Na passada sexta-feira, dia 11 de Outubro, tive o prazer de participar pela segunda vez no Fórum da Arrábida organizado pela APDSI – Associação para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.

O tema desta 12ª edição do Fórum foi “A Sociedade da Informação daqui a 20 Anos” e a agenda abriu com duas inspiradas e inspiradoras intervenções: uma mais institucional de Franco Accordino, Head of Digital Futures da Comissão Europeia, e outra mais pessoal de António Murta, Managing Partner da Pathena e Digital Champion de Portugal.

FUTURIUM - Uma das abordagens da Comissão Europeia para pensar os Futuros Digitais

FUTURIUM - Uma das abordagens da Comissão Europeia para pensar os Futuros Digitais (e que usa um pouco de arte para comunicar)

 

Gostava de aqui partilhar convosco algumas ideias principais que recolhi da apresentação de Franco Accordino, tecendo alguns comentários pessoais.

Franco vê as tecnologias de informação e comunicação (TIC) como um instrumento fundamental para a inovação. Na verdade, sugeriu que as TIC são o telescópio de Galileu dos dias de hoje pois permitem-nos ver mais além e revolucionar o mundo. Disse ainda que as TIC estão a baixar o custo de experimentação na medida em que, em muitos casos, podem substituir os testes “in vitro” por testes “in silicon”.

“ICT is today’s Galileo’s telescope that allows us to look beyond and revolutionise world”

Diz Franco que todas as inovações a que hoje assistimos são parte de novos modelos económicos. E não vale a pena pensar se esses modelos serão uma realidade: isso é uma certeza. Precisamos de pensar e de forma cuidada é como vamos gerir esses processo de mudança.

Eu acredito que é fundamental comunicar eficazmente durante todo o processo de mudança. Temos de manter as pessoas e as organizações informadas sobre o que está a acontecer, sobre o que poderá vir a ser, sobre alternativas de ação.

Um pouco mais tarde, na sua intervenção, Franco referiu que a ciência está cada vez mais ligada à arte no sentido em que a arte está a ser usada para transmitir, comunicar a ciência de uma forma que todos possam entender.

Eu diria que não é só à ciência e que a arte deve ser considerada como instrumento e canal para comunicar a mudança por que estamos a passar. Desmistificando-a, simplificando-a, mas abrindo também as portas à imaginação das pessoas e organizações para que possam todas elas ser também agentes (e não apenas recetores) de mudança.

Como não poderia deixar de ser, Franco Accordino falou das ferramentas e redes sociais e do impacto que têm e podem ter na sociedade. Disse ele que, nas redes sociais as pessoas podem premir os botões certos para criar ondas e potencialmente influenciar o funcionamento das coisas. Isto implica, diz ele, que as fundações do sistema democrático devem ser revistas pois para além de termos um conjunto de pessoas que controla as massas, começamos também a ter cenários em que as massas têm poder para controlar esse grupo de pessoas.

A grande questão que aqui se coloca – que Franco Accordino colocou, com que o grupo de trabalho da APDSI e que eu aqui reitero – é se os cidadãos têm realmente vontade de assumir as rédeas e de ter uma papel mais ativo no processo de decisão.

Será que os cidadãos têm tempo ou interesse para se envolver nas decisões que desenham a nossa sociedade? Ou será que preferem uma postura mais passiva, delegando nos políticos que elegem, a tomada de decisão?

Acredito que tenha de haver um meio termo. Penso que deve continuar a existir um grupo de representantes eleitos mas que devem ser criados mais momentos de consulta direta aos cidadãos.

Devem também ser criados mais mecanismos de garantir a transparência e isenção das decisões tomadas pelos representantes eleitos e que tem de haver uma aposta estratégica na comunicação clara dos temas a decisão.

No Brasil o Vote na Web é um fantástico exemplo desta preocupação. Em Portugal não conheço nada equivalente mas torço a toda a hora para que surja algo semelhante. Eu cá vou fazendo uma pequena parte, criando espaços para que as pessoas e as organizações vejam o que é possível fazer nesta matéria 😉