Diz-me com quem nadas, dir-te-ei que peixe és

Tweet No passado dia 4 de Abril tive o privilégio de participar na Conferência “O Papel da Sociedade de Informação na Reforma do Estado” organizada pela Associação Para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI). Do programa constavam inúmeras apresentações, todas elas pensadas para dar uma visão de como as […]

No passado dia 4 de Abril tive o privilégio de participar na Conferência “O Papel da Sociedade de Informação na Reforma do Estado” organizada pela Associação Para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI).

Do programa constavam inúmeras apresentações, todas elas pensadas para dar uma visão de como as tecnologias de informação estão a ser usadas em muitos dos braços da administração pública em Portugal. Desde a Educação, à Justiça, passando pela Saúde e pelos licenciamentos. Debateram-se serviços partilhados, cloud computing, a comunicação com o cidadão, etc..

Foi para abordar este último ponto que fui convidada a partilhar algumas ideias sobre como as ferramentas sociais podem ser usadas para estreitar o relacionamento entre administração pública e os cidadãos.

Pendurei a minha apresentação numa fantástica metáfora visual, bem conhecida mas que apesar disso nunca deixa de me impressionar e inspirar.

Peixes, num passeio em Madison, Wisconsin. Foto de beautifulcataya

Como referi na minha intervenção, não me interessa saber quem é, ou o que é, o peixe grande. Pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas, pode ser o Governo, etc.. Mas também pode ser um problema que temos de resolver, um objetivo que queremos alcançar, etc.. Não me interessa muito.

O que me seduz nesta imagem, é o poder dos peixes pequenos quando a nadar numa mesma direção, organizados e motivados. Os coletivos apaixonados de Francesco Alberoni é um conceito que me vem à cabeça vezes sem conta. E se me fascina tentar perceber os aspetos psicológicos e sociais que permitem criar este tipo de comportamento, entusiasma-me também o papel da tecnologia como mediadora e potenciadora de movimentos coletivos de grande dimensão e grande impacto potencial.

As ferramentas sociais, que encontramos em sites como o Facebook, Twitter, Orkut, Pinterest, etc., podem ser fundamentais na criação dessa dimensão e, consequentemente, na potenciação do impacto desejado.

Para que possamos criar na sociedade peixes grandes através da movimentação coordenada de peixes mais pequenos, temos de criar condições para que eles se descubram uns aos outros, falem entre si, colaborem, inovem e construam em conjunto.

Não é muito difícil ver o encaixe entre estas necessidades e as ferramentas sociais de que hoje dispomos.

  1.  A existência de perfis pessoais e linhas de atividade pessoais (personal activity streams) permite-nos encontrar pessoas com base na sua atividade profissional passada, mas também de acordo com os interesses que vão revelando continuamente.
  2. Os espaços de comentários, os sistemas de mensagens instantâneas, os fóruns de discussão, etc. são funcionalidades que encorajam o diálogo.
  3. Sistemas online para partilha de ficheiros, comentáveis, pesquisáveis, “linkáveis”, facilitam imenso a colaboração.
  4. Plataformas de crowdsourcing e de ideação são fantásticas para a inovação coletiva, uma inovação na qual cada ideia é tratada como um ponto de partida ou como peça num puzzle maior de outras ideias.
  5. Wikis e sistemas de edição simultânea de documentos (Google Docs, por exemplo) são convidam à cocriação, efetiva e responsável.

Como disse anteriormente, não sei quem é o peixe grande, mas sei o impacto que os peixes pequenos podem ter. E sei a tecnologia como um instrumento valiosíssimo na criação de condições propícias para que esses peixes de encontrem, organizem e ajam. A minha rua precisa desses coletivos organizados e motivados. A minha cidade também. O meu país… ui, se precisa! E o nosso planeta, precisa e precisará cada vez mais.

Vamos, peixinhos?