Dar dados a quem os pode usar

Tweet Hoje vi uma palestra TED que me deixou a pensar. Nomeadamente sobre gestão de conhecimento e sobre dados abertos. A apresentação de Stanley McChrystal, general do exército americano, debruça-se sobre a partilha de conhecimento num contexto militar. A frase que mais me marcou ouve-se por volta do minuto 4’40”: […]

Hoje vi uma palestra TED que me deixou a pensar. Nomeadamente sobre gestão de conhecimento e sobre dados abertos.

A apresentação de Stanley McChrystal, general do exército americano, debruça-se sobre a partilha de conhecimento num contexto militar. A frase que mais me marcou ouve-se por volta do minuto 4’40”:

“a informação só tem valor se a dermos às pessoas que têm capacidade de fazer algo com ela” (Stanley McChrystal).

Já tive, num outro espaço, oportunidade de refletir sobre a relação entre esta afirmação e a gestão de conhecimento. Aqui, gostaria de propor uma reflexão sobre o impacto que esta ideia tem no contexto da sociedade em geral e a forma como tão bem serve para justificar a importância dos dados abertos.

Vivemos num mundo de dados, onde um número inimaginável de bites é criado e armazenado, criando uma imagem detalhada das nossas vidas, das organizações que nos rodeiam, do contexto envolvente, etc..

São dados que analisados, trabalhados e relacionados podem trazer novas perspetivas sobre velhos problemas, evidenciar novos desafios, abrir portas a novas oportunidades. Mas são dados que, tal como McChrystal dizia, só têm valor se estiverem ao alcance de pessoas com capacidade, recursos e interesse em fazer algo com eles. Pessoas também capazes de olhar de fora, com novas lentes e com experiência e conhecimento em áreas diversas.

No Brasil e em Portugal, os dados recolhidos por entidades governamentais são públicos. Isto é, qualquer cidadão tem direito a pedir acesso a esses dados. Porém, e pegando num outro ponto que McChrystal refere, dificilmente pedimos informação sobre o que não sabemos existir. Para além disso, se os obstáculos ao acesso forem muitos, a vontade inicial dilui-se e os recursos disponíveis vão sendo rapidamente gastos.

“Dados abertos (open data) correspondem à ideia de que certos dados devem estar disponíveis para que todos usem e publiquem, sem restrições de direitos autorais e patentes ou outros mecanismos de controle.” (Wikipedia)

É por tudo isto que é importante passar de uma abordagem de liberdade de informação (freedom of information) para dados abertos (open data). Mais do que dar os dados a quem pede, é importante disponibilizar os dados para que sejam usados livremente se, quando e por quem deles tiver necessidade.

“O governo é bastante importante nesse contexto, devido à quantidade dos dados que coleta e pelo fato de tais dados serem públicos, direito garantido no artigo 5º da Constituição Federal brasileira” (Wikipedia)

Tanto o Brasil como Portugal têm dado cartas nesta matéria. Há ainda um longo, longo caminho a percorrer mas há iniciativas como o dados.gov.pt e o dados.gov.br que abrem as portas e mostram uma vontade governamental de abraçar este novo paradigma de interação societal.

Apesar das queixas de que os dados disponíveis pecam ainda pela falta de uniformização na formatação, pela dificuldade de acesso, etc., estes passos iniciais e estas mostras de boa vontade têm já resultado em projetos fantásticos.

DataViva DataViva
O Teu Orçamento de Estado
Demo.cratica
Incêndios.pt
POP – Portal de Opinião Pública
London Dashboard
Spending Stories

Na sua maioria, estes projetos têm como principal objetivo facilitar a visualização dos dados abertos disponibilizados por diferentes entidades. São efetivamente um passo intermédio, mas nem por isso menos importante, para o objetivo final de identificação de problemas, oportunidades e respostas para as grandes questões da nossa sociedade.

Estes projetos são, assim, uma espécie de aperitivo para o que poderemos encontrar num futuro muito, muito próximo e uma janela para o tipo de acesso aos dados que se ambiciona para “as pessoas que têm capacidade de fazer algo” com eles.

Nota: Pode encontrar (e adicionar) outros projetos de dados abertos em língua portuguesa no site Cidadania 2.0.