Agência de fomento, think tanks ou orquestradores – Como estimular a inovação?

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No Reino Unido existem pelo menos três formatos para o estímulo à inovação em gestão pública. O primeiro deles é o de uma agência de fomento, como a Nesta. Eles são ativos na produção de conteúdo a respeito da inovação em gestão pública e, além disso, possuem fundos disponíveis para apoiar órgãos públicos que queiram investir em inovação.

Um segundo formato é o de think tanks, (ou usinas de idéias na tradução do Wikipedia). Um exemplo típico é o da extinta IDeA (Improvement and Development Agency), órgão dedicado à geração de conteúdo e “cartilhas” de boas práticas que foi recentemente fagocitado pela sua mantenedora, a Associação de Governos Locais (LGA). No seu auge a IDeA produzia, em conjunto com governos locais, conteúdo que servia de guia para uma série de temas considerados chave para a gestão pública, como gestão de desempenho, compras, e redesenho organizacional. Eram manuais passo-a-passo, que serviam como referência para funcionários públicos em busca de orientação para implementar estas práticas em suas organizações. Além disso, o IDeA também hospedava diversas comunidades de prática que prosseguem hoje agregadas no Knowledge Hub. Apesar de não disponibilizar recursos financeiros para inovação, a IDeA apoiava iniciativas inovadoras como parte do processo de aprendizagem conjunta que culminava com a produção de conteúdos e seminários.

Existe ainda uma terceira possibilidade para o estímulo à inovação, compatível com os dois formatos acima. Trata-se de um movimento autogerido (pra não dizer anárquico), composto por um conjunto de iniciativas que têm como características principais o uso intenso de mídias sociais, a ausência de hierarquias e a participação 100% aberta e voluntária. Estas iniciativas incluem:

– Agregador de blogs (como o Public Sector Blogs);

– Acampamentos (Camps) ou desconferências: nacionais, regionais e temáticos. Exemplos: UKGovCamp, LocalGovCamp, CityCamp Brighton;

– Bate-papos presenciais e informais, porém sistemáticos (Vide TeaCamp ou Tuttle Club);

– Concessão de pequenas verbas (ou outros recursos) para o apoio à organização de tais eventos;

– Bate-papos periódicos via Twitter;

Comunidade online, como o já mencionado knowledge hub da LGA;

– e muitas outras…

O Design da Favela: Filho da necessidade, fruto da criatividade.

 

Acredito que este formado autogerido poderia ser acelerado através de orquestradores que facilitariam a criação de uma rede virtual de inovação que permanecesse a longo prazo, independente de mandatos e arranjos organizacionais. Esta seria uma solução de baixo custo, na qual o orquestrador incentivaria algumas das iniciativas citadas acima e ajudaria a divulgar outras semelhantes. Em um post recente, Catharine Howe expressa uma visão que reforça a relevância dos orquestradores, declarando que o poder de uma rede de inovadores será um enorme ativo se puder ser integrado com algum tipo de estrutura.

E qual seria o papel deste orquestrador? Em primeiro lugar, acredito que seja útil mapear e conectar focos de inovação em gestão pública e facilitar a troca de experiências entre eles. É importante destacar, correndo o riso de dizer o óbvio, que um movimento autogerido depende de pessoas engajadas. Indivíduos que não necessariamente trabalham dentro do governo, mas que sejam pessoas entusiasmadas por inovação e por serviços públicos.

A esse respeito, Dave Briggs (co-fundador dos já mencionados UKGovCamp, do LocalGovCamp e da consultoria Kindofdigital) sugere o seguinte:

“A chave para se desenvolver uma comunidade é que ela pertence a si própria, e não a uma organização. Eu suspeito esta é uma armadilha à qual organizações governamentais são particularmente suscetíveis. É mais eficaz pensar no que os inovadores no governo querem fazer, que informações eles querem, com quem querem se conectar, e sobre o que querem conversar.

É por isso que os acampamentos (ou desconferências) funcionam tão bem – as pessoas podem estar em uma sala e conversar sobre o que quiserem. Ninguém impõe uma estrutura ou tópicos de discussão.

E isso é tão válido para redes online quanto para atividades presenciais. Às vezes as pessoas passam muito tempo criando a plataforma online perfeita para discussão e então descobrem que todos já estavam plenamente satisfeitos em interagir usando ferramentas do LinkedIn ou Twitter.

Acho que a chave é tentar algo, e manter a iniciativa informal e fácil de aderir. Se não funcionar, tente algo diferente. Se der certo, continue.

E não se preocupe em ser atraente para todas as pessoas o tempo todo. Nunca irá acontecer e tentar atingir isso pode tornar o processo mais lento. Além disso, não deixe uma pessoa ou grupo declarar a propriedade de todo o movimento. Se alguém organizar um evento e outro grupo quiser fazer algo diferente, não lute contra isso – desde que tudo seja feito de forma aberta, e o aprendizado seja compartilhado, é tudo bom.”