A Agenda da Banda Larga

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Não se pode falar em projetos públicos de banda larga sem se ter em mente a questão da inclusão digital. Há cerca de 10 anos, quando as iniciativas de acesso gratuito à web para população de baixa renda estavam no auge, e os projetos do estilo ‘telecentros’ se multiplicavam (como os CICs aqui do Rio), acompanhei uma série de discussões sobre o assunto, inclusive as pesquisas da Profa. Marie Macadar da PUC-RS e do Prof. Nicolau Reinhard da USP.

Naquela época, como agora, as principais questões eram o modelo de escalabilidade e sustentabilidade de tais iniciativas. Outro ponto nevrálgico era a necessidade de oferecer acesso de maneira contextualizada, que promovesse a inclusão social e aumentasse a diversidade dos públicos usuários de telecentros, isto é, atraindo também outros públicos além dos jovens e adolescentes, como idosos, mulheres e portadores de deficiência. Neste sentido, projetos como a Rede do AcessaSP ou este exemplo do Telecentro Jardim Autódromo em São Paulo eram especialmente interessantes, devido às parcerias com associações comunitárias.

Percebo agora uma segunda onda da inclusão digital, na qual governos e entidades públicas buscam aumentar e consolidar a conectividade em banda larga, capilarizando desta maneira o acesso, e potencialmente, permitindo projetos de inclusão digital em mais ampla escala. O crescimento da oferta de conectividade possibilitaria não só a chegada do acesso em banda larga para habitantes fora das grandes capitais, mas também poderia ser uma alternativa de baixo custo para a população metropolitana.

Claro que é importante ter cautela com a premissa de que se o acesso existir, a inclusão acontecerá, como alerta Helen Milner, falando sobre a situação britânica. Na opinião de Helen, que é corroborada por este relatório do think tank Policy Exchange, a infraestrutura de internet rápida já teria atingido um grau satisfatório no Reino Unido, e no momento seria mais importante apoiar usuários e empresas a fazer melhor uso das oportunidades trazidas pela internet. Porém vale lembrar que é bem mais fácil atingir este estágio em uma ilha com área um pouco menor que o estado de São Paulo do que em um país com escalas continentais como o nosso…

Para trazer uma luz a este debate, entrevistei Peter Knight, que é estrategista em e-transformação e economista, além de profundo conhecedor das políticas de TIC no Brasil, com diversos livros publicados nesta área, como “Seeking Transformation Through Information Technology” e “E-Desenvolvimento no Brasil e no Mundo”. No vídeo abaixo Peter explica a importância do investimento em banda larga pelo setor público brasileiro, e conta sobre a Redecomep, projeto da RNP que se apresenta como uma forte parceira dos governos nesta empreitada.